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Michael Kegler, tradutor e jornalista, responsável pelo site www.novacultura.de

 

blecaute

cegueira temporária ou mesmo perda total da consciência que ocorre sob o efeito de acrobacias aéreas ou de variações bruscas




» 1HIST MIL procedimento de segurança que consiste em apagar ou ocultar todas as luzes de uma área sob alarme de bombardeio aéreo noturno ou sob ataque aéreo real 2 p.ext. interrupção noturna no fornecimento de eletricidade que gera obscurecimento total de uma área (bairro, cidade, região, etc.) 3p.metf AER MED turvação da vista, cegueira temporária ou mesmo perda total da consciência que ocorre sob o efeito de acrobacias aéreas ou de variações bruscas, para mais ou para menos, de velocidade ...« (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, Objetiva, Rio de Janeiro 2001)

apagão s.m. B m.q. BLECAUTE (interrupção de fornecimento de eletricidade) (idem)

40.000.000 de pessoas sem luz. 40 milhões de pessoas em 800 cidades: São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro – 8 estados sem eletricidade. E a culpa é da maior usina hidrelétrica do MUNDO! Como este país é enorme! E misterioso, pois enquanto não havia telefone, os celulares continuaram a funcionar, e enquanto milhares de pessoas ficaram atoladas nos elevadores, a outra metade daqueles 40 milhões informava o restozinho do mundo através de mensagens no »twitter« - a que no brasil ninguém tinha acesso - por falta de eletricidade para os computadores. Rá rá ... E a polícia alertando a população através de mensagens na rádio. Feliz aqueles pobrezinhos que por falta contínua de eletricidade já desde sempre se valem de rádiozinhos à pilha.

E aqueles outros 40 milhões (estimativa), que nunca sequer tiveram acesso a eletricidade, também não devem ter percebido nada do blecaute, e portanto também nada DAQUELA festa, de que a mídia nos conta, que aconteceu espontaneamente, quando a luz voltou, de repente. Certamente a maior festa do mundo. Ou a mais alegre.

Ah, e quem lembra-se do romance Blecaute de Marcelo Rubens Paiva, de 1986, reeditado pela Objetiva em 2007?

»Três jovens universitários fazem uma expedição às cavernas do Vale do Ribeira. Uma tempestade alaga as cavernas e os impede de sair por alguns dias. As águas baixam e eles finalmente conseguem sair. Ao chegar em São Paulo descobrem que todas as pessoas estão paralisadas, duras, como bonecos-de-cera, sem respiração e que são as únicas pessoas vivas da cidade.« (fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Blecaute_%28livro%29)

Desta vez o enredo é outro, mas acho que vou reler este livro, e em seguida o Não verás país nenhum de Ignácio de Loyola Brandão.



»um cenário caótico de uma hipotética São Paulo do amanhã« (outra vez a Wikipédia), editado em 1981 e já na 25a edição pela editora Global:

»a Amazônia se transformou em um deserto sem nenhuma árvore; onde "O lixo forma setenta e sete colinas que ondulam, habitadas, todas. E o sol, violento demais, corrói e apodrece a carne em poucas horas"; onde a carência de água impõe a reciclagem da urina, bebida pelas pessoas.« (release da Global Editora) Faltando a água, faltará até energia elétrica. Mais uma lição que poderiamos ter aprendido com este pequeno apagão gigantesco.

»Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! Não verás nenhum país como este!« (Olavo Bilac).
Sem luz, obivamente, não se vê nada, e isto não é a culpa do pobre Olavo.

Duas horas sem luz (mesmo que do outro lado do oceano) fazem a gente pensar. E se for só por duas horas. Ainda bem que há livros que nos ajudam a levar os pensamentos a diante. E ainda bem que há luz para ler estes livros - mesmo se for só aquela luzinha dos celulares.

Mas depois, a festa continua. Naturalmente.
Ou melhor: Claro!

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