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José Vianna da Motta
(S. Tomé 22.04.1868 – Lisboa 01.06.1948)
Francisco de Lacerda

Foi a personalidade mais marcante da primeira metade do passado Século XX em Portugal. Compositor, intérprete, pedagogo, ensaista e filósofo, formou não só várias gerações de pianistas portugueses, fundando também uma escola intrepertativa válida ainda para os nossos dias, como foi o compositor português que mais se empenhou no »reaportuguesamento« da música erudita portuguesa, como expressou  muito apropriadamente Afonso Lopes Vieira.

Seu pai, farmacêutico e músico amador, descobriu muito cedo o  seu invulgar talento musical, e com 14 anos apenas concluíu o curso de piano no Conservatório Nacional de Lisboa.  O Rei D. Fernando II, viúvo da raínha D. Maria II, e a condessa de Edla, sua segunda esposa de casamento morganático, ouviram o jovem Vianna da Motta que como menino prodígio se apresentava em concertos públicos na capital, e impressionados pelo talento do jovem pianista decidem apoiar o aprofundamento dos seus estudos musicais financiando a sua estadia na Alemanha, para onde partiu em 1882 para frequentar o recém criado Conservatório Scharwenka em Berlin, e onde foi aluno do seu fundador Xaver Scharwenka. Teve aulas privadas de composição com Carl Schaeffer também nesta cidade, e em Weimar foi aluno de Liszt. Em Frankfurt am Main frequentou o curso de intrepertação pianística que Hans von Bülow anualmente promovia naquela cidade.

Iniciou a sua carreira profissional como pianista em 1886, e na sua primeira digressão pela Europa acompanhou o violinista Pablo Sarasate em Helsiquia e o violinista Tivadar Nachez em Moscovo e São Peterburgo. Depois duma grande digressão por Portugal, onde ainda não tinha tocado depois da sua partida para a Alemanha, parte para Nova Iorque onde conheceu Ferrucio Busoni, tornando-se amigos, como testemunha a correspondência trocada entre ambos.

Com o começo da I. Grande Guerra Vianna da Motta é forçado a sair da Alemanha. Vai para a Suissa onde durante dois anos foi o Director do Conservatório de Genebra. Em 1917 regressa definitivamente a Portugal.

Funda em Lisboa a »Sociedade de Concertos« , a primeira do seu género no País e que teve uma longa vida de 58 anos, dedica-se à direcção de orquestra e é simultaneamente Director do Conservatório Nacional de Lisboa de 1918 até 1938 onde juntamente com Luís de Freitas Branco promoveu a reforma pedagógica de 1919, a qual muito veio a prestigiar aquela instituição.

Como compositor escreveu na infância e na juventude muitas obras ao gôsto da época, como mazurcas, valsas, fantasias sobre temas populares. Já na Alemanha compõe canções (Lieder), algumas dedicadas a sua primeira mulher Margarethe Lemke, várias peças instrumentais e uma »Fantasia Dramática«  para piano e orquestra de inspiração lisztiana. Já em Portugal compõe para piano as Rapsódias Portuguesas, três cadernos de Cenas Portuguesas, Canções Portuguesas Op. 10, a »Invocação dos Lusíadas« e a sua mais destacada composição,  a »Sinfonia em Lá Maior« , »À Pátria«.  Com esta sinfonia Vianna da Motta pode ser considerado como o pioneiro do ideal nacionalista na composição musical em Portugal.

Foi também musicógrafo, autor de muitos artigos sobre estética e intrepertação, revisor de muitas obras do repertório clássico para piano apresentando técnicas exemplares, mantinha correspondência regular com muitas personalidades artísticas da época como o já citado Ferrucio Busoni, Albert Schweizer, Albeniz, Cortot, etc. no estrangeiro, e António Arroyo, António Sérgio, Augusto Machado, Freitas Branco, etc. no país.

Intelectual de vasta cultura, era leitor regular de Goethe e de Schiller, de Shakespeare e de Camões, de Spinoza e de Kant.

Komponist des Monats:
José Vianna da Motta (S.Tomé  22.04.1868 – † Lisboa 01.06.1948)

... war der herausragende portugiesische Komponist der ersten Hälfte des 20. Jahrhunderts. Als Komponist, Pianist, Pädagoge, Essayist und Denker hat er nicht nur mehrere Generationen von portugiesischen Pianisten ausgebildet und dabei eine heute noch gültige Interpretationsschule begründet, sondern war auch der portugiesische Komponist, der sich insbesondere um die »Wiederkehr des Portugiesischen« in der Kunstmusik Portugals verdient gemacht hat, wie Afonso Lopes Vieira zutreffend beschreibt.

Der Vater, Apotheker und Musikliebhaber, entdeckte sehr früh die Neigung Vianna da Mottas zur Musik, und schon im Alter von 14 Jahren absolvierte er das Klavierstudium am National Konservatorium von Lissabon. König Ferdinand II, Witwer der Königin Maria II., sowie seine zweite Ehefrau, die Gräfin von Edla, hörten den jungen Pianisten Vianna da Motta bei einer seiner Vorstellungen als »Wunderkind« in der Hauptstadt und waren von seinem Talent so beeindruckt, dass Sie die Kosten für die musikalische Weiterbildung des jungen Pianisten in Deutschland übernahmen. 1882 ging er nach Berlin zum Studium am neugegründeten Scharwenka Konservatorium und wurde Schüler dessen Gründers Xaver Scharwenka. Zudem erhielt er Privatunterricht bei Carl Schaeffer und wurde später in Weimar Schüler von Liszt. In Frankfurt am Main besuchte er die von Hans von Büllow jährlich geführten Kurse für Interpretation am Klavier.

Seine berufliche Karriere als Pianist begann 1886, und auf seiner ersten Künstlerreise durch Europa spielte er in Helsinki mit dem Geiger Pablo Sarasate sowie in Moskau und St. Petersburg mit dem Geiger Tivadar Nachez. Nach einer längeren Reise durch Portugal, ging er nach New York, wo er Ferrucio Busoni kennenlernte und zu dem er, wie der Schriftverkehr belegt, eine große Freundschaft entwickelte.

Nach Ausbruch des I. Weltkriegs musste Vianna da Motta Deutschland verlassen. Er ging in die Schweiz, wo er zwei Jahre lang Direktor des Konservatoriums in Genf war. 1917 kehrte er für immer nach Portugal zurück.

In Lissabon gründete er die erste portugiesische Konzertgesellschaft »Sociedade de Concertos«, die 58 Jahre lang bestand hatte, widmete sich der Orchesterführung und war von 1918 bis 1938 Direktor des Nationalen Konservatoriums von Lissabon, wo er gemeinsam mit Luís de Freitas Branco die Studienreform von 1919 vorantrieb, und der Musikanstalt zu großem Ansehen verhalf.

Als Komponist schrieb er in seinen frühen Jahren viele Werke nach dem Geschmack der Zeit: Mazurkas, Walzer und  Fantasien über Volksmotive. In Deutschland schrieb er Lieder, von denen einige seiner ersten Frau Margarethe Lemke gewidmet waren, mehrere Instrumental- Kompositionen sowie eine von Liszt inspirierte »Dramatische Fantasie«.

Wieder in Portugal komponierte er die »Rapsódias Portuguesas« (Portugiesische Rapsodien) für Klavier, drei Hefte »Cenas Portuguesas« (Portugiesische Szenen), die »Canções Portuguesas« Op. 10 (Portugiesischer Lieder), die »Invocação dos Lusíadas« (Anrufung der Lusiadas) sowie seine berühmteste Komposition, die Symphonie in A-Dur »À Pátria« (An die Heimat). Mit dieser Symphonie wurde Vianna da Motta zu einem der Wegbereiter des Nationalismus in der portugiesischen Komposition.

Er war zudem Musikwissenschaftler, Verfasser von zahlreichen Schriften zu Ästhetik und Interpretation, Revisor von vielen Werken des klassischen Repertoires für Klavier und unterhiel einen regelmäßigen Schriftverkehr mit vielen Künstlern der Zeit wie Ferrucio Busoni, Albert Schweizer, Albeniz, Cortot, etc. im Ausland sowie António Arroyo, António Sérgio, Augusto Machado, Freitas Branco, etc. in Portugal selbst.


Otto Solano
April 2012


1)    Ferdinand von Sachsen-Coburg-Gotha (1816-1885)
2)    Elise Hensler (1826-1929), cantora / Sängerin


Bibliografia / Bibliographie

- Alexandre Delgado, A sinfonia em Portugal, Lisboa, Caminho da Música, 2002.
- Christine Wassermann Beirão, José Manuel de Melo Beirão e Elvira Archer (orgs.), Vianna da Motta e Ferruccio Busoni. Correspondência – 1898-1921, Lisboa, Caminho da Música, 2003.
- Fernando Lopes-Graça, Vianna da Motta: subsídios para uma biografia incluindo 22 cartas ao autor, Lisboa, Sá da Costa, 1949 (reeditado em Opúsculos, vol. 3, Lisboa, Editorial Caminho, 1984).
- João de Freitas Branco, Vianna da Motta: uma contribuição para o estudo da sua personalidade e da sua obra, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1987 (2ª ed.).
- Maria Josefina Andersen, Vianna da Motta interpretando os grandes músicos: estudos de estética musical, Figueira da Foz, Tipografia Popular, 1937.
- Teresa Cascudo e Maria Helena Trindade (eds.), José Vianna da Motta: 50 anos depois da sua morte, Lisboa, Instituto Português de Museus, 1998.
- Teresa Cascudo, »A década da invenção de Portugal na música erudita (1890-1899)«, Revista Portuguesa de Musicologia, 10, 2000, pp. 181-226.
- »Relações musicais luso-brasileiras em finais do século XIX«, Revista Camões, Outubro-Dezembro de 2000, pp. 136-141.
- Tomás Borba e Fernando Lopes Graça, Dicionário de Música, Edicoes Cosmos, Lisboa 1958

Discografia / Discographie

Sinfonia Op.13 em Lá Maior »À Pátria«
Orquestra Sinfónica da RDP
Maestro: Silva Pereira
Portugalsom, 1996

Canções
Soprano Elvia Archer, Piano Anton Illenberger
Portugalsom, 1988

Cantiga d´Amor Op.9 no. 1
Chula op. 9 no.2
Valsa Caprichosa Op. 9 no. 3

Piano: José Vianna da Motta
Dante – (HPC = Historic Piano Collection)

Sonata em Ré Maior, Fantasia Op. 2 em Mi Maior
Barcarola no. 1 Op. 1 em Lá Menor, Barcarola no. 2 Op. 17 em Si Bemol
Balada Op. 16 em Lá Maior

Piano: António Rosado
Portugalsom 1995

Balada Op. 16 para piano solo
Frantasia Dramática para piano e orquestra
Concerto para piano e orquestra em Lá Maior

Piano: Artur Pizarro
Orquestra Gulbenkian, Maestro Martyn Brabbins
Hyperion 2000

Música para piano:
Sonata em Ré Maior, Cenas Portuguesas, Op. 9, Balada Op. 16
Cenas Portuguesas, Op. 18, Barcarolas Op. 1 e Op. 2, Adeus minha Terra Op. 15 no. 2

Piano:Sequeira Costa
MP 2001

Canções
Canção perdida (poema de Guerra Junqueiro)
Quando Cadran le Foglie (Poema de Stecchetti)

Tenor: Carlos Guilherme Piano: Armando Vidal
Numérica 1998

Sinfonia Op. 13 »À Pátria«
Abertura »Ines de Castro«

St. Petersburg Philarmonic Orchestra
Maestro: Mário Mateus
NF 2005

Vito
Orquestra Sinfónica Nacional
Maestro: Pedro de Freitas Branco
Portugalsom 1996

Obras literárias (excerto) / Literarische Werke (Auszug)
Nachtrag zu Studien bei Hans von Büllow von Theodor Pfeiffer (Berlin, 1896);
Pensamentos extraídos das obras de Luís de Camões (Porto, Renascença Portuguesa, 1919);
Vida de Liszt (Porto, Edições Lopes da Silva, 1945);
Música e músicos alemães, Publicações do Instituto Alemão da Universidade de Coimbra, 1941.